Fluminense e Renato Gaúcho tiveram uma empatia instantânea desde a primeira passagem do ex-atacante pelas Laranjeiras, em 1995, com o histórico gol de barriga na decisão do Estadual contra o Flamengo. De lá para cá já se passaram 13 anos e muitas idas e vindas, onde clube e treinador dividiram tristezas, como o rebaixamento para a Série B do Brasileiro em 1996, e alegrias, como a conquista da Copa do Brasil 2007. No próximo dia 24 abril, o atual capítulo, e talvez o mais feliz, desta história completa um ano, período onde as imagens da equipe e de seu comandante ficaram cada vez mais unificadas.- Esse jeito do Renato, como um pai, é o que a gente precisa. Nossa equipe hoje é uma família. Todo os jogadores podem olhar um na cara do outro, não há vaidade, um morre pelo outro. Quando um é vaiado, o outro sente. Quando um erra, o outro sente - declara o goleiro Fernando Henrique, uma das apostas mais contestadas de Renato.Autêntico e sem papas na língua, o treinador desvincula de sua imagem atual qualquer polêmica da época de jogador, e admite que seu time tem semelhanças ao estilo que o atacante Renato Gaúcho apresentava.- Se tem uma coisa que eu nunca fui é ser marrento. As pessoas gostam de opinar sem conhecer a pessoa. Se eu estiver aberto a conversa e a dar a atenção necessária para todo mundo, vou chegar a um lugar e ficar mais de 30 horas. Acho que a personalidade da minha equipe é a mesma minha. De pegada, com vontade dentro do campo, sem dar chances à outra equipe, com vontade de ganhar sempre. A partir daí, naturalmente a personalidade de cada jogador aparece. Gosto de futebol ofensivo, respeitando o adversário e procurando jogar.Depois de muito enfatizar que a dedicação sempre foi e será a maior referência de seu estilo e de suas equipes, Renato Gaúcho apresenta os argumentos para que um atleta nunca deixe de se entregar dentro de campo.- Ser jogador de futebol tem grandes vantagens: trabalha fazendo o que gosta, por três ou quatro horas por dia, ganha bem, tem carro do ano, roupa da moda, várias mulheres. Tudo do bom e do melhor. Então é justo que durante os 90 minutos ele se entregue totalmente, essa é minha única cobrança. Isso acontecendo, a gente pode até perder, mas vai ser difícil.Com as camisa de Grêmio, Cruzeiro, Fluminense, Flamengo e seleção brasileira, Renato Gaúcho conquistou dez títulos como jogador, os primeiros deles foram justamente a Libertadores e o Mundial, objetos de desejo do Tricolor em 2008.